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SATED CE pelos passos dos mártires PDF Imprimir E-mail
30 de julho de 2007


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O Passeio Público, no Centro de Fortaleza, palco da execução dos líderes da Confederação do Equador no Ceará: fato histórico ganha reconstituição artística (Foto: Thiago Gaspar)

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O cortejo se encerra no Passeio, também procurando contribuir para chamar atenção a espaços históricos da capital cearense (Foto: Silvana Tarelho)

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Registro do Passeio Público de tempos idos: ponto de encontro de senhoras em trajes elegantes e de referências literárias como as de Adolfo Caminha (Foto: Reprodução)

Celebrando o Dia do Patrimônio Cultural, um grande cortejo pelo Centro de Fortaleza relembra esta tarde os mártires da Confederação do Equador no Ceará


Das brancas paredes do forte aos bancos e às alamedas do Passeio Público, passando pela Praça dos Leões e pela Praça do Ferreira. A partir das 15h de hoje, um cortejo reunindo cerca de 500 pessoas promete tomar o Centro de Fortaleza, em uma manifestação de muitas vozes e leituras possíveis. Da celebração do Dia do Patrimônio Cultural do Ceará a uma homenagem a Padre Mororó, Carapinima, Ibiapina, Azevedo Bolão e Pessoa Anta, mártires da Confederação do Equador no Ceará. Da reverência às matrizes étnicas da formação do povo cearense, com destaque para os índios e afro-brasileiros, à participação de maracatus, escolas de samba, bandas de música, quadrilhas, corais, capoeiristas, brincantes de circo... Todos reunidos em 10 alas de um cortejo que promete acrescentar outras cores ao burburinho da região central da capital, lembrando outras Fortalezas incrustadas na de nossos dias.




Promovido pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado, o cortejo reconstituirá o trajeto dos integrantes da Confederação do Equador que foram condenados à morte por fuzilamento. “Na verdade, foram espingardeados, não havia fuzis na época, e sim aquelas espingardas carregadas pela boca”, pontua Oswald Barroso, coordenador de Patrimônio Histórico e Cultural da Secult, que ressalta o intenso envolvimento das centenas de participantes do ato que, nesta tarde, conjuga história, arte e reflexões sobre o espaço público. “Esse povo todo, todos esses artistas, todo mundo teve uma atitude de dedicação extraordinária! O povo do Ceará é um povo que ama sua terra, gosta de contar a sua história”, ressalta, ao falar sobre os preparativos para o cortejo, realizados no curto tempo de um mês e meio, da pesquisa histórica seguida de debates à concepção de cada momento da apresentação de logo mais, como as paradas para relembrar espaços e personagens da história da cidade.

“Assim como já fizemos em um outro cortejo assim, em 2001, a idéia é avivar a memória de fatos importantíssimos da história do Brasil, que foram obscurecidos através dos tempos. Esses mártires, verdadeiros heróis brasileiros, ainda hoje seguem no obscurantismo”, destaca Oswald. “Além de reforçar esse tema, da cearensidade, das várias etnias e culturas formadoras do Ceará”, acrescenta, citando a pretensão de ver repetida anualmente a realização do cortejo. “Todo ano eu dou essa idéia, mas nem sempre se consegue. A gente vai tentando. Se for esperar tempo bom, não acontece nunca”, afirma, citando projeto de iniciativa do Sindicato dos Artistas, para apoio pelo Fundo Estadual de Cultura, e o apoio de vários artistas e instituições envolvidos na preparação do cortejo - como o Theatro José de Alencar, que acolheu os ensaios, e o cineasta Rosemberg Cariry, encarregado do registro audiovisual da manifestação. “Queremos que o cortejo também ajude na ressignificação do Centro de Fortaleza, estimulando iniciativas como a colocação de placas com a história de cada ponto e a recuperação das fachadas dos imóveis”.

Itinerário histórico

A concentração inicial para o cortejo acontece na Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, onde será lembrada a solenidade militar de degradação dos condenados. De lá os participantes saem, às 15h, em caminhada pelo Centro, seguindo pela Av. General Bizerril e parando na Praça dos Leões para apresentação de maracatus, congos e capoeira. Na frente da Igreja do Rosário, uma representação abordará a libertação dos escravos. O Museu do Ceará e o Palácio da Luz são outros pontos de destaque, antes de o cortejo chegar à Praça do Ferreira, com grupos indígenas apresentando o ritual do Torém. Hora, então, de tomar o rumo do Passeio Público, antigo Campo da Pólvora, onde a execução dos confederados republicanos pelas forças monarquistas deverá ser lembrada em apresentação prevista para o final da tarde.

A seqüência do cortejo, destaca Oswald Barroso, procura retratar com fidelidade o trajeto cumprido nos rituais de exposição pública e execução dos confederados. “São quatro autos, nos espaços desse roteiro que os condenados cumpriam. Muitos fatos vão ser reeditados. Tem o cajueiro que caiu, os comentários jocosos do Padre Mororó, a execução dos condenados, com um belíssimo réquiem na voz da Aparecida Silvino... E as discussões circunstanciais, com falas desses personagens, são muito interessantes”, adianta. Entre outros participantes, os brincantes da Caravana Cultural, os maracatus Rei de Paus e Nação Baobá, o projeto de arte circense Respeitável Turma e os índios Tapebas. Muitas vozes a contar nossa história.

DE PERNAMBUCO A PADRE MORORÓ E CIA.

A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário republicano ocorrido em 1824 no Nordeste brasileiro, em reação ao absolutismo do imperador D. Pedro I. A província de Pernambuco, que já se rebelara em 1817 contra o abuso de poder por parte dos portugueses e a dominação política exercida pelo Rio de Janeiro, foi palco do estopim do movimento em julho de 1824 e irradiou os ideais republicanos e libertários para outros estados, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará, formando a Confederação. Que chegou a ser responsável pelo primeiro jornal cearense, o Diário do Governo do Ceará. Enquanto em Pernambuco tiveram destaque lideranças como Frei Caneca, no Ceará nomes como Padre Mororó, Azevedo Bolão, Pessoa Anta, José Carapinima e Miguel Ibiapina se transformaram em mártires do movimento.

Serviço: Dia do Patrimônio Cultural - Cortejo histórico e artístico pelo Centro de Fortaleza, a partir das 15h, saindo da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção e se encerrando no Passeio Público. Informações: 3101-1181.

DALWTON MOURA
Repórter

 
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